Image

A IA pode acelerar o trabalho. Mas o que fazemos com o tempo que ela nos devolve?

Acredito que você também receba, de diferentes fontes, métodos, prompts e ferramentas que prometem revolucionar a forma como usamos a Inteligência Artificial.

Diante de tantas novidades, uma pergunta me parece cada vez mais importante: como podemos aproveitar tudo isso de forma efetiva no nosso trabalho?

Sim, a IA já está nos ajudando a fazer muitas coisas em menos tempo. Pesquisas, análises, relatórios e tantas outras atividades que fazem parte da rotina de Inteligência de Mercado.

Mas será que estamos aproveitando todo esse potencial?

Foi justamente essa reflexão que levei do webinar promovido pela ISI EMIS, no dia 24 de setembro, sobre como a Inteligência Artificial está mudando o trabalho de Inteligência de Mercado.

Entre os pontos discutidos, um me chamou especialmente a atenção: o ganho de produtividade não está apenas em fazer as mesmas coisas mais rápido, mas na oportunidade de repensar a forma como trabalhamos e onde concentramos nossos esforços.

A IA já pode assumir parte das tarefas que consomem boa parte do nosso tempo, como buscar informações, acompanhar movimentos do mercado, organizar dados e apoiar a elaboração de relatórios. Com isso, temos a oportunidade de reduzir o tempo dedicado a atividades operacionais e direcionar mais atenção àquilo que exige análise e compreensão do negócio.

Mas o que fazemos com esse tempo que ganhamos?

Esse tempo pode ser usado para olhar além dos dados, compreender o que está acontecendo no mercado, conectar informações e identificar movimentos que merecem atenção.

É também a oportunidade de conversar mais com as áreas de negócio, entender suas necessidades e buscar respostas para perguntas que realmente importam.

Afinal, não basta reunir informações e apresentar resultados. Precisamos compreender o que eles significam, quais são suas implicações e como podem contribuir para uma decisão.

É nessa passagem da informação para a análise que o profissional de Inteligência amplia sua contribuição.

E é preciso olhar para além daquilo que está mais visível no nosso trabalho. Existe uma parte importante da Inteligência que vai muito além da coleta, do monitoramento e da produção de relatórios.

Acesse o artigo: O que existe além da superfície da informação

O uso da IA também exige pensamento crítico

Mas, para aproveitar esse potencial, precisamos manter o pensamento crítico.

A IA pode trazer respostas, organizar informações e sugerir caminhos. Ainda assim, cabe a nós avaliar as fontes, conferir os dados e questionar os resultados. É preciso entender se as informações fazem sentido, se estão alinhadas ao contexto do negócio e se realmente ajudam a responder à questão que estamos investigando.

Nem tudo o que parece fazer sentido à primeira vista se sustenta quando analisamos com mais cuidado.

Por isso, usar IA também exige responsabilidade. Precisamos acompanhar o processo, revisar o que foi produzido e assumir a responsabilidade pelas análises que entregamos e pelas decisões que ajudamos a construir.

O papel da Inteligência de Mercado está evoluindo

Outro ponto interessante do webinar foi a evolução do papel da Inteligência de Mercado. Estamos avançando de uma atuação mais voltada a entender o que já aconteceu para uma capacidade maior de antecipar movimentos e avaliar possíveis cenários.

Com o apoio da IA, podemos identificar sinais, explorar possibilidades e chegar a novas perguntas antes mesmo que uma necessidade seja apresentada pelo negócio.

Isso abre espaço para uma atuação mais próxima das decisões, ajudando a empresa não apenas a entender o mercado, mas também a se preparar para o que pode vir pela frente.

E, nesse cenário, o papel do profissional continua sendo fundamental: interpretar os sinais, avaliar os cenários e ajudar a compreender quais caminhos fazem sentido para o negócio.

O que diferencia o profissional nesse cenário?

Diante de tudo isso, algumas competências ganham ainda mais importância. O pensamento crítico, a capacidade de fazer boas perguntas, a comunicação e a visão de negócio são fundamentais para transformar o potencial da IA em resultados.

Não basta saber utilizar as ferramentas. Precisamos compreender o que buscar, avaliar o que encontramos e comunicar os resultados de forma clara, conectando as análises às necessidades de quem precisa tomar decisões.

A tecnologia pode ampliar nossa capacidade de trabalho. Mas é a forma como usamos esse potencial que determina a contribuição que conseguimos entregar.

Essa transformação também nos convida a olhar para a forma como estamos nos preparando para o futuro da profissão.

Acesse o artigo: O profissional de Inteligência do futuro

O profissional que se destaca é aquele que ajuda a decidir

Na mensagem de encerramento, o webinar trouxe uma reflexão que considero especialmente importante: os profissionais que vão se destacar na era da IA serão aqueles capazes de pensar estrategicamente, formular boas perguntas, comunicar dados com clareza e atuar como consultores na tomada de decisão.

Essa mensagem reforça algo em que acredito: o espaço do profissional de Inteligência se amplia quando ele deixa de apenas apresentar informações e passa a entregar análises que ajudam a diretoria a compreender cenários, avaliar possibilidades e tomar decisões.

É a capacidade de conectar informações ao contexto do negócio, identificar o que realmente importa e transformar análises em direcionamentos que diferencia sua contribuição.

Quando o profissional consegue demonstrar como seu trabalho contribui para as decisões da empresa, ele amplia sua participação nas discussões estratégicas e fortalece seu espaço dentro da organização.

Não porque produz mais informações, mas porque entrega algo que vai além delas.

E esse trabalho começa muito antes da apresentação dos resultados. Está na forma como compreendemos o problema, conduzimos a pesquisa, construímos a análise e pensamos na aplicação do que descobrimos.

Acesse o artigo: Transformar informação em análise

O que fazemos com o tempo que a IA nos devolve?

No fim, volto à pergunta que abriu esta reflexão: o que fazemos com o tempo que a IA nos devolve?

Podemos usá-lo para produzir mais. Mas também podemos aproveitá-lo para compreender melhor o mercado, aprofundar nossas análises e estar mais próximos das decisões do negócio.

Acredito que é nessa escolha que está uma das grandes oportunidades para os profissionais de Inteligência de Mercado.

A IA pode ampliar nossa capacidade de trabalho. Mas, quando conseguimos transformar informações em análises relevantes, que ajudam a empresa a compreender cenários e tomar decisões, ampliamos também o valor da nossa contribuição.

Mais do que usar a IA para fazer mais, precisamos usá-la para entregar algo que faça a diferença.


Este artigo reúne minhas reflexões a partir do webinar sobre como a IA está mudando, na prática, o trabalho de Inteligência de Mercado, promovido pela ISI EMIS em 24 de setembro de 2026. O encontro anunciado contou com a participação de Fernando Turatto, da Marsh, e Adler Carvalho, da ISI EMIS.

Conheça a autora:

Claudia Prantz

Mestre em Administração e Consultora de Inteligência de Mercado na Randon, com mais de 20 anos de experiência na área.

É idealizadora da mentoria Autoridade Estratégica, na qual desenvolve analistas para ampliar sua visão de negócio, transformar análises em insights relevantes e fortalecer sua influência nas decisões corporativas.