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Ao contrário do México e da Argentina, a indústria automotiva brasileira conseguiu conter as importações, mas os veículos elétricos estão mudando essa dinâmica

Por Samuel Malkun

Brasil e México fabricam automóveis há mais de um século, mas seus setores automotivos seguiram trajetórias bastante diferentes em meio à globalização das cadeias de suprimentos e à ascensão dos veículos elétricos.

Embora muitas das marcas sejam de propriedade estrangeira, quase 80% dos automóveis vendidos no Brasil são produzidos localmente, um legado da industrialização apoiada por tarifas protecionistas. A popularidade dos veículos importados variou ao longo do tempo, dependendo da taxa de câmbio. Durante o boom das commodities no fim dos anos 2000, um real forte reduziu a competitividade dos veículos produzidos no país.

Enquanto isso, a produção mexicana passou a ser fortemente orientada para o mercado dos Estados Unidos sob o USMCA, e as importações cresceram até representar dois terços do mercado doméstico. Empresas como Volkswagen, GM e Nissan utilizam o México como plataforma de manufatura para exportar veículos para o exterior.

Ao longo da década de 2020, a participação das importações aumentou em ambos os países, um movimento diretamente ligado ao crescimento dos veículos elétricos, geralmente fabricados na China. Para manter uma boa relação com formuladores de políticas públicas, montadoras chinesas de veículos elétricos vêm investindo em produção local. Recentemente, a BYDCompany lançou seu primeiro híbrido plug-in fabricado no Brasil, capaz de operar com três tipos de combustível.

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