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A carne bovina está liderando uma nova onda de inflação alimentar na América Latina

A inflação dos alimentos está acelerando em todo o mundo, à medida que gargalos derivados do Estreito de Hormuz causam turbulências nos mercados de fertilizantes e em outros insumos essenciais. A América Latina, uma potência agrícola global, não está imune a esses desafios. Os preços da carne bovina, por exemplo, estão subindo em sintonia do Brasil ao Chile e à Colômbia. Além disso, a escassez de gado nos Estados Unidos e o aumento da demanda global por carne vermelha também estão impulsionando essa tendência.

Para ampliar nossa cobertura detalhada de países e categorias de alimentos específicos, desenvolvemos recentemente índices de preços de bens de alta frequência para a Colômbia e o Chile. (A separação do componente de carne bovina permitiu a comparação regional apresentada em nosso primeiro gráfico.)

Esses índices utilizam dados semanais de preços no varejo de diversos alimentos e são baseados nas ponderações adotadas pelos institutos nacionais de estatística. Na Colômbia, os índices abrangem 14 categorias, cobrindo 59% da cesta nacional de consumo de alimentos. No Chile, os índices acompanham 13 itens que representam 49% dos gastos com alimentação.

Em ambos os países, duas categorias estão liderando a inflação dos alimentos: carne bovina e batata.

Desde janeiro de 2025, os preços da carne bovina aumentaram 24,7% na Colômbia e 12,5% no Chile, muito acima da taxa geral de inflação de alimentos em cada país. Embora não seja a categoria com crescimento mais acelerado, a carne bovina possui o maior peso nas cestas de consumo, tornando-se o principal fator de contribuição para a inflação dos alimentos.

As batatas, por sua vez, estão registrando uma inflação severa, especialmente durante o segundo e o terceiro trimestre deste ano. Na Colômbia, os preços já acumulam alta superior a 50% desde janeiro de 2026. As variedades amarelas do tipo “criolla”, particularmente valorizadas pelos consumidores, mais do que dobraram de preço. Isso reflete, em parte, uma recuperação após o excesso de oferta e os preços deprimidos observados no ano passado. No entanto, as condições climáticas também tiveram papel importante este ano, especialmente para as variedades com ciclo mais curto entre o plantio e a colheita, que são mais vulneráveis a choques de oferta.

Os índices chilenos permitem uma análise mais detalhada em nível regional. Embora os preços das batatas tenham subido cerca de 37% neste ano, a volatilidade foi menor e, consequentemente, a inflação de preços também foi mais baixa nas regiões que concentram a maior parte da produção desse cultivo.

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