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Colchão de carry da América Latina encolhe com o Fed em alta

Por Samuel Malkun

Em 16 de setembro, o Federal Reserve (Fed) elevou sua taxa básica em 25 p.b., para o intervalo de 3,75% a 4,00%, na primeira alta desde julho de 2023. Duas semanas depois, o banco central da Colômbia, o Banco de la República, elevou sua taxa básica para 12,25%, acumulando 300 p.b. de altas desde o início de 2026 em meio à inflação persistente.

Desde o início de 2024, os bancos centrais do México, do Chile e do Peru cortaram juros mais rapidamente que o Fed, estreitando de forma contínua seus prêmios. O Brasil fez um desvio: elevou a Selic de 10,50% para 15,00% entre setembro de 2024 e junho de 2025, em meio a preocupações fiscais, e passou a cortá-la em março de 2026. Com o Brasil ainda em ciclo de cortes e os juros americanos agora em alta, o aperto é cada vez maior. O diferencial do Brasil em relação ao teto da meta do Fed caiu de 11,25 p.p. em dezembro para 9,75 p.p., e o do México, de 3,25 p.p. para 2,50 p.p. No Chile e no Peru, ele está próximo de zero. A alta mais recente da Colômbia recompôs seu prêmio em 8,25 p.p.

Nesta análise, examinamos a dinâmica da inflação regional, os fluxos de fundos de renda fixa da EPFR e as taxas de câmbio diárias para mostrar como o estreitamento do colchão de carry está afetando a dívida e as moedas da região.

Na região, a inflação subiu ao longo do ano em todos os países, exceto no México. A Colômbia tem a taxa mais alta, de cerca de 6,3% a/a em setembro, sem que nada tenha compensado até agora o reajuste do salário mínimo de janeiro. O Peru registrou a maior alta, de cerca de 1,5% em dezembro para 4,2%, e a taxa do Chile subiu para 4,1%, já que ambos tiveram os maiores aumentos nos preços dos combustíveis da região em meio às tensões no Oriente Médio. Já no México, os preços dos combustíveis quase não se moveram, e os alimentos foram o principal fator para manter a inflação cheia contida, em cerca de 3,5%.

No Brasil, a maior economia da região, a inflação ao consumidor subiu desde o início do ano, para 4,58% a/a em setembro, ante 4,26% em dezembro. O nowcast da CEIC aponta para uma queda para cerca de 4% em outubro, ainda acima da meta de 3% do Banco Central do Brasil. Com a Selic em 13,75%, a taxa real de juros do Brasil está acima de 9%, e perto de 10% considerando o nowcast. Nos EUA, por outro lado, o nowcast está em torno de 3,2%, menos de 1 p.p. abaixo do teto da meta do Fed.

O apetite dos investidores pela dívida da região já vinha diminuindo com o estreitamento dos diferenciais. Os dados semanais da EPFR mostram que as entradas em títulos latino-americanos estão em queda desde maio (depois de um breve episódio de saídas em março) e praticamente zeraram em setembro. No início de outubro, a média de quatro semanas havia ficado ligeiramente negativa tanto para o Brasil quanto para o México.

A alta do Fed também pressionou as moedas latino-americanas. Desde 16 de setembro, o peso mexicano se desvalorizou cerca de 6,5% frente ao dólar, a maior queda da região. Os pesos chileno e colombiano e o sol peruano perderam entre 2% e 3%. O real é a única moeda que se valorizou, quase 3%.

Com o Fed subindo juros e a inflação ainda acima da meta no Brasil, o espaço para novos cortes na região está diminuindo. O Banco Central do Chile (27 de outubro) e o Banco de la República (30 de outubro) se reúnem pouco antes e pouco depois da decisão do Fed, em 28 de outubro, seguidos pelo Banco Central do Brasil (4 de novembro), pelo Banco do México (5 de novembro) e pelo Banco Central de Reserva do Peru, em novembro. Os analistas esperam que Chile e México mantenham os juros e que o Brasil faça mais um corte até o fim do ano. Essas reuniões mostrarão até que ponto as autoridades estão dispostas a deixar o colchão de carry encolher.


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