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Agenda Digital do Brasil impulsiona inovação, investimento e oportunidades

O Brasil está avançando na construção de uma economia digital competitiva, impulsionado por investimentos em inteligência artificial, infraestrutura e políticas públicas coordenadas. Iniciativas como o PBIA, o E-Digital e a Nova Indústria Brasil reforçam o posicionamento do país como um hub tecnológico na América Latina e um destino estratégico para investimentos em mercados de alto potencial. Este artigo destaca os principais motores dessa transformação e as oportunidades.

5–7 minutos

O Brasil está se posicionando para se tornar a principal economia digital da América Latina até 2030, apoiado por estratégias nacionais ambiciosas e pelo rápido crescimento dos investimentos em IA e infraestrutura digital. Um total de BRL 23,03 bilhões será investido no plano de inteligência artificial do país entre 2024 e 2028, enquanto, entre 2024 e meados de 2025, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou aproximadamente BRL 1 bilhão para projetos relacionados à IA. Bilhões de dólares em investimentos privados já foram destinados a data centers de hiperescala e infraestrutura de nuvem. Beneficiando-se de abundante energia renovável, um grande mercado doméstico e políticas digitais direcionadas, o Brasil vem se consolidando como o destino preferido na região para investimentos em IA e data centers.

A base da agenda digital do Brasil é a Estratégia de Transformação Digital (E-Digital 2022–2026), que funciona como um plano para construir uma economia digital competitiva, coordenando políticas digitais entre governo, indústria e sociedade. A estratégia está estruturada em cinco pilares: expansão da infraestrutura digital e do acesso à banda larga; promoção de pesquisa, desenvolvimento e inovação; fortalecimento da cibersegurança e da confiança no ambiente digital; melhoria da educação digital e das habilidades da força de trabalho; e ampliação da participação do Brasil na economia digital global. Também prioriza a transformação digital da economia por meio da adoção de tecnologias como inteligência artificial, computação em nuvem, big data, Internet das Coisas (IoT) e manufatura avançada.

As principais prioridades do E-Digital incluem a expansão da conectividade de banda larga e 5G em todo o território nacional, o fortalecimento da infraestrutura de nuvem e data centers, e o posicionamento do Brasil como um hub regional de conectividade. O plano identifica inteligência artificial, semicondutores, cibersegurança, tecnologias quânticas e manufatura digital avançada como tecnologias estratégicas que requerem investimentos direcionados e parcerias internacionais.

Outro componente central da agenda digital brasileira é o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024–2028, que busca posicionar o país como líder regional em IA. O plano foca no desenvolvimento de infraestrutura de IA, no apoio à pesquisa e inovação, na formação de profissionais qualificados, na promoção da adoção de IA por empresas e serviços públicos, e no estabelecimento de estruturas de governança ética.

O plano está estruturado em cinco eixos estratégicos:
· Infraestrutura e desenvolvimento de IA – investimentos em recursos computacionais e data centers.
· Difusão, formação e capacitação em IA – formação de profissionais especializados.
· IA para melhoria dos serviços públicos – adoção de soluções para aumentar eficiência e qualidade.
· IA para inovação empresarial – incentivo à adoção de IA pelas empresas.
· Apoio à regulação e governança da IA – criação de um arcabouço para uso ético e responsável.

O PBIA prevê a alocação de BRL 23,03 bilhões entre 2024 e 2028. Cerca de BRL 14 bilhões serão destinados a projetos empresariais, incluindo o desenvolvimento da cadeia de valor de IA, a criação de data centers nacionais e o apoio a startups e micro, pequenas e médias empresas. Mais de BRL 5 bilhões serão investidos em infraestrutura e desenvolvimento de IA, incluindo infraestrutura energética sustentável e eficiente para data centers e instalações de IA. Desse total, BRL 500 milhões serão destinados ao desenvolvimento de data centers verdes, que utilizarão energia renovável e tecnologias eficientes para atender à crescente demanda computacional da IA, minimizando impactos ambientais. Os recursos restantes serão direcionados a capacitação, melhoria de serviços públicos e regulação.

Em 2025, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou um empréstimo de USD 150 milhões para implementar, em parceria com o BNDES, o programa PRODIGITAL. A iniciativa visa fomentar a transformação digital em estados e municípios brasileiros e melhorar os serviços públicos para os cidadãos. O BNDES contribuirá com mais USD 30 milhões. O programa irá co financiar uma linha de crédito para projetos de transformação digital em municípios com mais de 100 mil habitantes, além de estados e do Distrito Federal. Os projetos selecionados poderão receber financiamentos entre USD 2 milhões e USD 40 milhões.

Além da digitalização do setor público, o Brasil também apoia ativamente a inovação no setor privado. Entre 2024 e meados de 2025, o BNDES aprovou cerca de BRL 1 bilhão para projetos relacionados à IA, incluindo desenvolvedores de software, integradores de sistemas, aplicações de IA, fabricantes de hardware e provedores de infraestrutura digital. O banco também avalia a criação de um fundo dedicado, entre BRL 500 milhões e BRL 1 bilhão, focado especificamente em IA e data centers, reforçando o compromisso do governo em expandir a infraestrutura digital e atrair investimentos tecnológicos.

Essas iniciativas complementam a política industrial mais ampla do país, a Nova Indústria Brasil, que identifica a transformação digital como uma de suas missões estratégicas. O programa promove tecnologias da Indústria 4.0, IA, computação em nuvem, desenvolvimento de semicondutores e manufatura avançada, com o objetivo de aumentar a produtividade industrial e a autonomia tecnológica. Os investimentos em data centers são considerados particularmente relevantes, pois fornecem a capacidade computacional necessária para IA, serviços em nuvem e negócios digitais.

Em 2024, o governo federal lançou a Missão 4 da Nova Indústria Brasil, que prevê BRL 186,6 bilhões em investimentos públicos e privados em automação, IoT, semicondutores, computação em nuvem, robótica e infraestrutura digital até 2035. Desse total, BRL 42,2 bilhões já foram alocados pelo setor público, BRL 58,7 bilhões estão previstos e o setor privado deverá contribuir com BRL 85,7 bilhões.

O objetivo da Missão 4 é ambicioso: digitalizar 50% das indústrias brasileiras até 2033, com uma meta intermediária de 25% até 2026.

De forma geral, o Brasil estabeleceu um arcabouço robusto de políticas para apoiar o crescimento de sua economia digital. Por meio de investimentos coordenados em IA, infraestrutura digital, digitalização do setor público e financiamento à inovação, o país busca fortalecer seu ecossistema tecnológico, atrair investimentos estrangeiros e se posicionar como um dos principais hubs digitais e de IA da América Latina.

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